quarta-feira, 6 de março de 2013

A ameaça dos Animais exóticos na Amazônia

Cobra-cipó - Chironius carinatus
Recentemente foram listadas 675 espécies da fauna e flora amazônica que correm sérios riscos de extinção. O Workshop para elaborar a lista vermelha do Estado do Pará reuniu mais de 50 especialistas no Museu Emílio Goldi, deixando o Pará como o primeiro Estado da Amazônia a elaborar um documento enquadrando os espécimes da fauna e flora ameaçados nas suas diversas categorias.
Caramujo africano - Achatina fulica
Boto Cor de Rosa - Inia geoffrensis Bla
O pesquisador da Universidade Federal Rural do Pará (Ufra), Expedito Guimarães, é um estudioso da malacologia (área da zoologia que estuda os moluscos) e já alertou a população da grande Belém sobre a invasão de caracóis terrestres. O molusco Achatina fulica, conhecido como caramujo africano, tem alto potencial de reprodução, é hermafrodita e coloca quatro posturas ao ano, contendo de 50 a 500 ovos cada uma. Este animal foi trazido para o Brasil por empresários sulistas com o objetivo de produzirem o escargot, uma iguaria da culinária europeia. Mas o negócio fracassou e os moluscos espalharam-se por diversas cidades brasileiras. Em Belém não foi diferente.
Rã Touro - Lithobates catesbeianus
Dessa vez o alerta é contrário, ao invés de chamar atenção para uma proliferação de caracóis terrestres, Guimarães garante que duas espécies de molusco estejam listadas “são duas espécies de moluscos que estão ameaçadas de extinção, uma é exclusiva do Pará e a outra foi trazida dos Estados Unidos para o habitat local”, explica o malacólogo.
Tucunaré - Cichla orinocensis
As duas espécies, além de incluídas na lista de ameaçados do Estado foram apresentadas à comunidade científica durante a 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que aconteceu em Florianópolis (SC) no período de 16 a 21 de julho de 2006.
Sagui de cara Branca - Callithrix geoffroyi
Segundo o biólogo, Expedito Guimarães, as principais causas da extinção desses animais estão relacionadas à destruição de habitat e a introdução de espécies exóticas. “os fatores de risco para essas espécies são a destruição do meio em que vivem essas espécies através de queimadas e desmatamentos e a introdução de outras espécies ocasionando assim a competição (é a interação de indivíduos da mesma espécie ou de espécie diferentes, que disputam algo. Esta disputa pode ser pelo alimento, pelo território, pela luminosidade, pelo emprego, pela fêmea, pelo macho, etc.) para a sobrevivência”, informa Guimarães.
TamanduáMirim - Tamandua tetradactyla
Jabuti Piranga  - Chelonoidis carbonariaara










Tartaruga da Amazônia - Podocnemis expansa
É através dessa notícia que podemos compreender que o principal problema de animais exóticos na Amazônia, é a competição por sobrevivência, em que algumas vezes, os animais originários do Brasil, podem sair em desvantagem nessa disputa.



Lista de algumas espécies exóticas da Amazônia
Tucano - Ramphastos tucanus tucanus

1. Cobra-Cipó
2. Rã-Touro
3. Tucunaré
4. Sagui de cara Branca
5. Tamanduá-Mirim
6. Tucano
7. Jiboia
8. Jabuti Piranga
9 Tartaruga da Amazônia
10. Boto cor de Rosa
 

Texto reproduzido de enctas.org.br                      


terça-feira, 5 de março de 2013

O peixe que não é peixe

Ele não é boi muito menos peixe, ele é o maior mamífero aquático de água doce, vive aqui na região Amazônica, ele é menor que seus primos de água salgada. Vamos conhecer um pouco mais desse incrível mamífero chamado PEIXE-BOI da Amazônia.

Peixe-Boi da Amazônico

Classe: Mammalia
Ordem: Sirenia
Família: Trichechidae
Nome científico: Trichechus inunguis
Nome vulgar: Peixe-boi ou guarabá
Cientista que descreveu: Natterer, 1883
Foto: Lima, T. L. M











Esse é um mamífero endêmico da Bacia do Rio Amazonas e do Rio Orinoco no Peru.
O peixe-boi quando adulto pode atingir o comprimento de até 2,80 m e pesar cerca de 700 kg. É chamado de peixe por ter habitat exclusivamente aquático. Porém é um exemplar da classe dos mamíferos.
Mãe carregando o filhote
Apresenta um corpo cilindrado achatado, cauda modificada em forma de remo, arredondada, plana e horizontal bastante grande. Os membros posteriores desapareceram, mas há vestígios deles na estrutura interna e nos embriões achados em fêmeas grávidas.  Couro com coloração escura, indo do cinza ao preto, de aparência lisa, lembra a pele de outros mamíferos aquáticos. Seu focinho lembra ao de um boi, por isso a analogia. O lábio superior é bastante característico, com um lobo carnoso dotado de pelos eréteis. Seus lábios são grossos e com pelos sensoriais. O orifício nasal pode ser fechado quando está submerso. Os olhos são bastante reduzidos. Não apresentam orelhas externas, e as internas são pequenos orifícios quase não perceptíveis. Membros anteriores curtos modificados em nadadeiras, sem unhas nas pontas. Aparelho mastigatório reduzido aos molares que se regeneram constantemente. Por terem uma alimentação rica em sílica, elemento que desgasta os dentes com rapidez. Os molares deslocam-se para frente cerca de 1mm por mês e se desprendem quando estão completamente gastos, sendo substituídos por dentes novos situados na parte posterior da mandíbula. Seu abdômen e partes do tórax apresentam machas irregulares brancas, os diferenciando dos seus primos marinhos que são desprovidos dessas características. As fêmeas têm duas mamas peitorais. Não apresentam dimorfismo sexual (características não sexuais marcantes). Reproduzem-se durante todo o ano e a gestação dura aproximadamente um ano. Geralmente a fêmea dá a luz a um filhote. Eles já nascem em média com 75 cm de comprimento. Existe o cuidado parental, da mãe com a cria. A mãe pode carregar o filhote em suas costas ou junto às nadadeiras, como os seres humanos, para que possa mamar nas suas glândulas mamárias peitorais. A fêmea pode cuidar de até três filhotes duma vez, com pelo menos um ano de diferença entre eles. Sua longevidade em estado selvagem é desconhecida, mas indivíduos cativos viveram vinte anos e meio. A primeira reprodução de peixe-boi em cativeiro se deu há 16 anos, no Instituto de Pesquisa da Amazônia-INPA. Veja a reportagem
Peixe-bois se alimentando de canarana.
São animais estritamente dóceis, vivem em grupos (animais gregários), conhecidos por viverem em grandes grupos. Com a caça predatória que sofreram e continuam sofrendo, seus grupos hoje são reduzidos em torno de 4 a 7 indivíduos. Mantêm-se ativos tanto no período diurno quanto o noturno.

Apresentam grande quantidade de gordura. Alimentam-se de vegetais que crescem nas margens de rios, igarapés e lagoas, como gramíneas, algas e macrófitas aquáticas canarana (Echinochloa polystachya), a alface-d’água (Pistia stratiotes), as murerus (Eichhornia crassipes e Pontederia rotundifolia), a membeca (Paspalum repens), a orelha-de-onça (Salvinia auriculata) e o pé-de-sapo (Ceratopteris pteridoides). O principal período de alimentação de peixe-boi ocorre na estação chuvosa, quando a obtenção de alimentos é facilitada, permitindo à espécie acumular gordura. Também pode comer frutos de palmeiras que tenham caído na água. Durante a época das chuvas, armazena gordura para os períodos de seca. Exemplares cativos podem ingerir de 9 a 15 quilos de folhas por dia. Raramente é atacado por predadores naturais, talvez pelo seu porte imponente. Têm como predadores principais o homem, jacarés e onças. Não se dispõe de estimativas populacionais. Espécie caçada indiscriminadamente durante séculos para obtenção de pele e carne, além de gordura para a produção de óleo. Além da caça ilegal, fatores como a perda do habitat, eliminação da vegetação ribeirinha, perturbações do ciclo hidrológico e destruição das macrófitas aquáticas têm sido citadas como fatores de diminuição de populações selvagens.
O peixe-boi-amazônico está listado como ameaçado tanto no Apêndice I do CITES quanto U.S. E.S.A; vulnerável segundo o IUCN. Foi caçado pelos índios amazônicos com redes e arpões por séculos. Entre 1930 e 1940 centenas de peixe-bois-amazônicos foram mortos por caçadores para obter carne (que era e é considerada como iguaria, onde atualmente ainda é caçado regionalmente) e óleo, onde as postas eram conservadas. Não foge dos caçadores, o que o torna uma presa fácil.
O município de Novo Airão no Amazonas tem como símbolo o peixe-boi
Você sabe como se chama a fêmea do peixe-boi? Chama-se Peixe-mulher, muitas pessoas não sabem e acabam errando como se vê nessa reportagem jornais...